Empreendimentos ousados, modernos e sustentáveis

Obras | 07/12/2012

Especializada em prédios corporativos Classe A escolhe região para os melhores projetos

A Tishman Speyer anunciou dois projetos inovadores e de alto padrão na área do Porto Maravilha que somam 222.472 metros quadrados (m²) de área construída em 36.809 m² de terreno. O primeiro deles, o Port Corporate, edifício comercial já em construção próximo ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e à Rodoviária Novo Rio, ousa no endereço e reforça a aposta de expansão do Centro da cidade em direção à Região Portuária. Para o segundo empreendimento, na Avenida Rodrigues Alves, em terreno conhecido como Pátio da Marítima, a empresa contratou o inglês Norman Foster e abriu a negociação dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), em parceria com a Caixa Econômica Federal. Um dos maiores arquitetos da Europa, Foster é responsável por obras como a Ponte do Milênio, em Londres, a renovação do Parlamento Alemão, em Berlim, o metrô de Bilbao e os aeroportos de Hong Kong e Pequim.

Em entrevista ao Blog Porto Maravilha, Ana Carmen Alvarenga, diretora da Tishman no Rio de Janeiro, explica o cuidado da incorporadora com a sustentabilidade e admite que reservou à Região Portuária os seus melhores projetos. A empresa, criada em 1978 e com negócios em 23 países, é uma operadora de gestão de investimento imobiliário internacional conhecida por construções sustentáveis e de Classe A.  A executiva apresenta detalhes do Port Corporate, empreendimento que espera contar com a importante certificação Leed [Leadership in Energy and Environmental Design], com entrega prevista para o fim do ano que vem.

Simulação da fachada do edifício Port Corporate, que terá 32 mil m² em área de escritórios

Como a empresa diminui impactos ambientais em suas obras?

A Tishman tem um braço de sustentabilidade. Nossos investidores costumam dizer que somos a empresa que mais atua sob essa ótica no mundo. Não é por modismo. Temos esse compromisso há muito tempo, com todos os nossos projetos. O Port Corporate é o nosso quarto empreendimento no Rio com Certificado Leed. Quando iniciamos um projeto, obter a certificação já é nossa intenção. A escolha do terreno é o primeiro passo para atender às condições da Leed. O modelo considera a proximidade da contratação do material de construção, em raio próximo. A área deve conter ainda condições favoráveis de transporte acesso público.

O que é avaliado na concessão da certificação?

Todos os edifícios que atendem aos parâmetros das instituições de certificação são considerados "verdes". A certificação se dá com pontuação. Quanto mais itens o projeto comprovar, maior a categoria na classificação. No nosso caso, miramos sempre o nível Gold. O Platinum é mais complicado, porque a preocupação com o uso de vidro é muito forte, é um requisito mais difícil de preencher.

Como vocês lidaram com os resíduos da implosão do Moinho Marilu para dar lugar ao Port Corporate?

Fizemos um trabalho especial para triturar e reutilizar o material no próprio terreno. O resíduo pode ser usado na argamassa, no tratamento do solo ou no enchimento, porque é necessário chegar a um nível específico de altura do prédio. Só pelo fato de não colocarmos os destroços para fora já ganhamos uma boa pontuação.

Quais são as características "verdes" do edifício?

O Port Corporate tem muito mais do que telhados verdes. Há uma área descoberta arborizada no estacionamento, uma torre e uma praça com paredes verdes. Ao lado, temos o edifício garagem todo revestido de vegetação. O vidro da fachada tem isolamento térmico. A luz entra, mas o calor não. Isso permite menor consumo de energia no uso de luz elétrica e de ar condicionado, um dos fatores principais no processo de certificação. Temos elevadores inteligentes, geradores, sistema de reaproveitamento de água da chuva e de descarga sanitária duoflux [de duplo acionamento, diferente para resíduos líquidos e sólidos]. O projeto também prevê bicicletário e vestiário para ciclistas, desestimulando o uso de carro. Além disso, usamos madeira certificada e monitoramos os resíduos orgânicos para reciclagem.

Como você avalia a oferta de empreendimentos sustentáveis no Brasil?

Cada vez mais, empresas internacionais se instalam no Brasil, e isso inclui o Rio. Elas seguem parâmetros dos Estados Unidos e da Europa. Quando chegam ao Rio, não encontram isso. O que verificamos nos investimentos de boa qualidade estava longe de ser um Triple A, com alta qualidade. O Ventura, nosso edifício lançado há pouco no Centro do Rio, virou referência. Foi o primeiro edifício a receber o Certificado Gold. Tem de tudo e mais um pouco.

O acesso ao edifício é todo revestido de vegetação

Com todos os benefícios de uma construção verde, por que muitas empresas ainda não fazem esse investimento?

Custo. Fazer isso não é de graça. A trituração do material da implosão, por exemplo, é muito cara. Algumas empresas querem gastar o mínimo possível para obter retorno em um determinado momento e optam por um edifício sem certificação. Nós trabalhamos com empreendimentos mais onerosos que se pagam ao longo dos anos. O usuário gastará menos com energia e água. Sua empresa poderá conseguir uma certificação de empresa verde também. Leva alguns anos para recuperar esse investimento, mas compensa.

Por que investir na área do Porto Maravilha?

Temos vários empreendimentos em andamento. Nosso interesse na Região Portuária como um todo é grande, mas hoje a menina dos olhos é o Port Corporate, pioneiro em vários aspectos: primeiro terreno comprado, primeira outorga paga, primeiro projeto do grupo. É a forma de a Tishman mostrar o quanto acredita no Porto Maravilha. O Rio de Janeiro precisa crescer, e ir para essa região é a melhor alternativa. A iniciativa caiu como uma luva, tanto para os imóveis residenciais como para a falta de espaço para prédios coorporativos Classe A. Estamos fazendo nossos melhores projetos lá.

Texto: Yara Lopes/ Fotos: Divulgação

20/07/2012

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