Quem não Luta tá Morto – arte, democracia e utopia no MAR

| 13/09/2018

Exposição reúne mais de 60 obras de artistas como Cildo Meireles, Anna Maria Maiolino, Claudia Andujar, Jaime Laureano e Ayrson Heráclito
O Museu de Arte do Rio (MAR) estreia a exposição “Quem não Luta tá Morto – arte democracia utopia” neste sábado, dia 15 de setembro. Assinada por Moacir dos Anjos – um dos mais importantes curadores do país, com passagens pelas Bienais de São Paulo e Veneza – a exposição faz parte do programa curatorial para os cinco anos da instituição e reunirá mais de 60 obras de diversos suportes. O MAR é um equipamento público da Prefeitura do Rio atento às questões importantes para a sociedade brasileira, um lugar de reflexão e debate para temas como direito à habitação, violência urbana e contra a mulher, racismo e questões de gênero, temas propostos na mostra.
Para marcar a inauguração, a partir das 17h, os pilotis serão palco de shows dos Jards Macalaé, Doralyce e Bia Ferreira, além de uma apresentação do conjunto de funk Poesia nos Pés e um recital do grupo Poetas Favelados.



Obra de Dora Longo Bahia que estará exposta no MAR a partir do dia 15
“Quem não luta tá morto – arte democracia utopia” terá sete trabalhos exclusivos, como o de Virginia de Medeiros, que dá nome à mostra. Os coletivos Amò e#cóleraalegria, assim como Graziela Kunsch, Raphael Escobar, Traplev e Jota Mombaça completam o time de artistas que criaram especificamente para a exposição, que traz ainda nomes consagrados como Anna Maria Maiolino, Claudia Andujar, Paulo Bruscky e Cildo Merieles. Ao lado deles, farão parte da mostra propostas e ações de grupos comunitários, associações e outras articulações da sociedade civil.
Sem ter pretensão de apresentar um panorama conclusivo, a mostra traz exemplos do pensamento utópico que marca a arte brasileira recente. Para apontar uma continuidade dos danos sofridos por parte da população, trabalhos artísticos realizados em momentos passados estarão também presentes na exposição. O curador debate o pensamento utópico, que na sua visão é essencialmente político e, por isso, muitas vezes enuncia desigualdades. “Ele confronta um conjunto de dispositivos institucionais onde o acesso a direitos vale somente para poucos e proclama a ideia de um outro mundo, organizado de forma mais justa. A condição para o exercício do pensamento utópico é, por consequência, a existência da democracia”, explica Moacir.
O debate, porém, não ficará restrito às galerias do museu. Para colocar em prática o projeto de expandir o diálogo, os arquitetos do Estúdio Chão criaram estruturas lúdicas que convidam o público a acessar os pilotis por cima do muro de vidro. No espaço aberto do museu, módulos de madeira se transformarão em arquibancadas para formar a Arena, onde acontecerão encontros, bate-papo com artistas e atividades da Escola do Olhar. Além disso, haverá uma convocatória para que coletivos ocupem o espaço com suas atividades.
Artistas que participam da exposição
#cóleraalegria
Ailton Krenak
Aline Albuquerque
Amò (uma articulação coletiva integrada por Ana Lira, Marina Alves, Marta Supernova, Thais Rocha e Thais Rosa)
Anna Maria Maiolino
Antonio Obá
Ayrson Heráclito
Bárbara Wagner
Benjamin de Burca
Cao Guimarães
Carlos Zílio
Cildo Meireles
Clara Ianni
Claudia Andujar
ColetivA Ocupação
Dalton Paula
Débora Maria da Silva
Dora Longo Bahia
Eduardo Coutinho
Emmanuel Nassar
Fábio Tremonte
Frente 3 de Fevereiro
Graziela Kunsch
Gustavo Speridião
Hélio Oiticica
Ivan Grilo
Jaime Lauriano
João Castilho
Jonathas de Andrade
José Rufino
Jota Mombaça
Laerte
Marcha das Vadias
Maria da Silva
Maria Thereza Alves
Matheus Rocha Pitta
Museu das Remoções
Paulo Bruscky
Paulo Nazareth
Paul Setúbal
Pedro David
Randolpho Lamonier
Raphael Escobar
Rivane Neuenschwander
Rosana Palazyan
Rosana Paulino
Rio de Encontros
Rosangela Rennó
Slam das Minas
Traplev
Vicent Carelli
Virgínia de Medeiros