Consórcio VLT Carioca vence licitação

Obras | 18/02/2012

A licitação para construção e operação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Região Portuária e do Centro foi vencida pelo consórcio VLT Carioca, na última sexta-feira, dia 26 de maio. O critério para a seleção da empresa que vai implantar e operar o novo serviço de transporte público da cidade foi o de menor valor de contrapartida a ser pago pelo município.

Formado pelas empresas Actua - CCR, Invepar, OTP - Odebrecht Transportes, Riopar, RATP e Benito Roggio Transporte, o grupo vencedor apresentou proposta com oferta de R$ 5.959.364,27 mensais pagos pela prefeitura durante 25 anos de contrato - valor 1,35% abaixo do teto de R$ 6.040.916,67 estimado pelo edital. O pagamento da contraprestação mensal pela prefeitura só se dará após o término da obra e início da operação, o que deve ocorrer no prazo de dois anos e meio aproximadamente.

O VLT que circulará pela cidade do Rio de Janeiro até 2016 ligará os bairros da Região Portuária ao centro financeiro e ao Aeroporto Santos Dumont, passando pelas imediações da Rodoviária Novo Rio, Praça Mauá, Avenida Rio Branco, Cinelândia, Central do Brasil, Praça 15 e Santo Cristo. A integração com outros meios de transportes (metrô, trens, barcas, BRT, redes de ônibus convencionais, teleférico e aeroporto) vai melhorar o trânsito da região central, reduzindo o fluxo de veículos.

- O Centro ficou muito tempo abandonado, sem receber investimentos. Estamos buscando revitalizar espaços públicos com prioridade para transportes de alta capacidade, com a implantação de VLTs integrando os modais da cidade. Queremos que o Centro tenha transportes de alta capacidade e de muita qualidade, como acontece em outros centros metropolitanos do mundo - explicou o prefeito Eduardo Paes.

O Veículo Leve sobre Trilhos é um dos mais modernos meios de transporte do mundo, utilizado com sucesso em cidades como Barcelona, Berlim e Paris. Os trens não têm fios superiores em rede aérea e são movidos por energia embarcada. Há diversas tecnologias para o abastecimento energético, mas essa será a primeira vez em que serão combinadas em um sistema.

O projeto prevê seis linhas de "bondes modernos" que circularão no Centro e na Região Portuária, com 28 quilômetros de trilhos, 38 paradas e 4 estações. As composições serão refrigeradas e poderão transportar até 450 passageiros. Com velocidade média de 15 a 40 km por hora, o novo veículo levará de 10 até 30 mil passageiros por sentido e por hora, num tempo máximo de espera entre um trem e outro variando de 2,5 a 10 minutos, de acordo com a linha.

O VLT traz um conceito diferenciado, com um sistema limpo, eficiente e silencioso, evitando impactos negativos para a população e otimizando a circulação excessiva de linhas de ônibus pela área. Não haverá roletas ou catracas, nem trocador, e o bilhete será comprado no ponto de venda ou os usuários poderão utilizar o Bilhete Único Carioca pelo sistema de validação da passagem. O projeto contempla acessibilidade aos portadores de deficiência em todos os vagões.

As ruas da Região Portuária já começaram a ser preparadas para receber o novo tipo de transporte. Dentro do novo sistema de tráfego da Região Portuária está a construção da Via Expressa que, somada à criação de novas ruas e avenidas, permitirá a demolição total do Elevado da Perimetral.

O trânsito que circula hoje pela Perimetral e pela Avenida Rodrigues Alves passará à nova Via Binário do Porto - que terá 3,5 km de extensão e cruzará toda a Região Portuária com três pistas em cada sentido e dois túneis - e à Rodrigues Alves, que será transformada em uma via expressa com pouco mais de 5 km. Além dessas vias, a mobilidade será complementada com a rede de VLT, o sistema de BRTs e as ciclovias, que vão integrar de forma capilar a malha viária.

A prefeitura planeja ainda a construção de dois bulevares: um onde hoje é a Avenida Rodrigues Alves - da Praça Mauá ao Armazém 8 - e outro na Avenida Rio Branco. Esses locais serão transformados em um enorme passeio público, com prioridade para o pedestre e para o sistema de VLT com o objetivo de melhorar as condições ambientais na cidade e foco na sustentabilidade.

- Nossa ideia é criar um sistema sem o trânsito caótico de hoje e ambientalmente melhor. O projeto que estamos licitando representa mais rapidez, menos custo e redução da poluição do ambiente, tanto sonora como do ar. Ao projetá-lo para a região, pensamos na demanda futura. Prevemos o adensamento da Região Portuária, com a instalação de novos empreendimentos comerciais e residenciais. Em 2030, a previsão é de que vivam ali mais de 120 mil pessoas, enquanto hoje temos 32 mil - disse Alberto Gomes Silva, presidente da Cdurp.

VLT ligará Região Portuária ao Centro da cidade

Confira os trajetos das seis linhas do VLT

Linha 1: Rodoviária, Cordeiro de Graça, Pereira Reis, Santo Cristo, Cidade do Samba 1, Silvino Montenegro, Rodrigues Alves, Praça Mauá, São Bento, Candelária, Buenos Aires, Sete de Setembro, Rio Branco, Almirante Barroso, Cinelândia, Antônio Carlos, Barão Tefé, Antônio Laje, Harmonia, Pedro Ernesto, Cidade do Samba 2, Praça Santo Cristo, Equador

Linha 2: Central, América, Vila Olímpica, Santo Cristo, Cidade do Samba 1, Silvino Montenegro, Rodrigues Alves, Praça Mauá, Barão de Tefé, Antônio Laje, Harmonia, Pedro Ernesto, Cidade do Samba 2

Linha 3: Central, Duque de Caxias, Saara, Constituição, Praça da República, Praça Tiradentes, Carioca, Carmo, Barcas, Santos Dumont

Linha 4: Central, Duque de Caxias, Itamaraty, Camerino, Santa Rita, Candelária, Buenos Aires, Sete de Setembro, Rio Branco, Almirante Barroso, Cinelândia

Linha 5: Rodoviária, Vila de Mídia, Barão de Mauá, São Diogo, Nabuco de Freitas, América, Central

Linha 6: Rodoviária, Vila de Mídia, Barão de Mauá, São Diogo, Nabuco de Freitas, América, Vila Olímpica, Santo Cristo, Cidade do Samba 1, Silvino Montenegro, Rodrigues Alves, Praça Mauá, Barão de Tefé, Antônio Laje, Harmonia, Pedro Ernesto, Cidade do Samba 2

Texto: Juliana Romar, Prefeitura do Rio

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