Mais praças, por favor

Obras, Cultural | 26/08/2013

O planejamento de urbanismo nos 5 milhões de metros quadrados (m²) da operação urbana Porto Maravilha contempla valorização do meio ambiente, criação de áreas de convivência e circulação de pessoas. A proposta aumenta os espaços verdes e opções de lazer na Região Portuária, que tem previsão de aumento da população dos atuais 32 mil para 100 mil habitantes até 2020. Hoje, praças e áreas de lazer somam 84.838 m². A proposta é a de que, até 2016, após a conclusão das obras, a região do Porto ganhe mais 143.855 m² e chegue a 229.000 m².

O projeto mais ousado é a criação de um parque linear que começa na Praça XV e segue até o Armazém 8, próximo ao emboque do Túnel da Via Expressa. O grande passeio terá 2,6 km de extensão, com ciclovias e, em alguns trechos, passagem do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). "Queremos ressaltar os atrativos da Região Portuária. Vamos criar cenário integrado ao centro histórico da cidade, com ciclovias, parques e museus no caminho", explica Alberto Gomes Silva, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp). O Museu de Arte do Rio, inaugurado em março de 2013, o Museu do Amanhã, previsto para ficar pronto em 2014, e a Fábrica de Espetáculos, imóvel em construção parte do complexo do Teatro Municipal, estarão no trajeto do passeio público.

Sempre que possível, Patrícia Pereira Leal, 34 anos, moradora da Gamboa, leva o filho de dois anos para brincar na Praça Coronel Assunção, mais conhecida como Praça da Harmonia, xodó dos moradores. Com direito a coreto, árvores e parquinho, a praça dá àquele ponto do bairro jeito de cidade de interior. "Vivo na região desde que nasci. Quando era pequena, aproveitava muito pouco os atrativos da área. Agora, procuro levar meu filho para passear e se divertir com as outras crianças", conta Patrícia. A Praça da Harmonia, fica no coração da Gamboa, próximo ao Moinho Fluminense e ao 5º Batalhão da Polícia Militar (Gamboa).

Novo Parque Machado de Assis

No ano passado, as obras do Porto Maravilha exigiram a transferência da quadra de futebol do Parque Machado de Assis, no Morro do Pinto, para terreno próximo, a fim de permitir a construção de novo Reservatório de Água - o terceiro maior da cidade. O espaço de lazer que continha, além da quadra de futebol, um parquinho infantil, ganhou novíssimo projeto de urbanismo com a reconstrução do Parque Machado de Assis em seus 21.850 m², parte sobre o reservatório. A mudança proporcionará vista ainda mais ampla da Região Portuária porque contempla um mirante e elevação de terreno.
Chegado o momento de reconstruir a quadra e o parquinho, a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) e a Concessionária Porto Novo convocaram moradores do Morro do Pinto para discutir o projeto de reposição da área de lazer. Após as reuniões, ficou decidido que além da reposição da quadra (em grama sintética), o parque ganhará outra quadra poliesportiva, novos equipamentos infantis, academia ao ar livre, academia para a terceira idade, churrasqueira, vestiário, almoxarifado e pista para prática de caminhadas.

Convidados pela Cdurp e pela concessionária, moradores visitaram o canteiro de obras no dia 2 de agosto e tiveram uma apresentação sobre a importância do novo reservatório de água para cidade e Região. A estrutura tem capacidade para armazenar 15 milhões de litros, suficientes para abastecer uma população de 500 mil habitantes. Durante a visita, moradores tiraram dúvidas e opinaram sobre a revitalização do espaço de lazer, com inauguração prevista para outubro.

Tânia Rodrigues, 57 anos vividos no Morro do Pinto, acredita que as mudanças são para melhor. "A expectativa de toda comunidade é a de ver a área de lazer pronta. Tenho netos e gostaria de vê-los brincando aqui. Pretendo vir me exercitar na academia da terceira idade e fazer caminhadas", planeja.

Anne da Silva Ferreira da Cunha, 26 anos, também nascida no Morro do Pinto, comentou que frequentava pouco o antigo parque, mas que, com a movimentação do canteiro, está curiosa para ver a obra concluída. "Sempre que vou à casa da minha tia, passo em frente e dou uma espiada. A expectativa de todos é grande. Meu sobrinho de sete anos costumava brincar no parque. É disso que sentimos falta e vamos recuperar em breve", comemora.

Texto e fotos: Mariana Aimée