Centro Cultural José Bonifácio reaberto ao público

Obras | 22/11/2013

A Prefeitura do Rio de Janeiro reinaugurou o Centro Cultural José Bonifácio (CCJB) no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, com o projeto "África Diversa" e a exposição "Seppir 10 - Uma Década de Igualdade Racial". Parte do Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, a construção do século XIX da Rua Pedro Ernesto foi restaurada pelo programa Porto Maravilha Cultural e ficará aberta de terça a domingo, das 10h às 18h. O novo centro reabriu sob a coordenação da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade mantendo o compromisso de preservar e valorizar a cultura afro-brasileira, com raízes na cidade intimamente ligadas à Região Portuária.

Vestidos de azul e branco e tocando instrumentos de percussão, membros do grupo Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos e cortejo das Guardas de Congado (MG) abriram o evento. O prefeito Eduardo Paes participou da cerimônia e recebeu um rosário com a benção do grupo: "Esse dia é especial para refletir sobre o negro no Brasil e comemorar os 10 anos da Secretaria de Políticas e Promoção da Igualdade Racial. Inicialmente, as obras Região Portuária eram pensadas como um projeto urbanístico, de calçadas, asfalto e iluminação. O mais fantástico do Porto Maravilha é aliar a requalificação com a história, a cultura e a importância do negro".


O palacete na Rua Pedro Ernesto, 80, foi inaugurado em 1877 por Dom Pedro II, ainda com o nome de Escola Pública Primária da Freguesia de Santa Rita, a primeira da América Latina. Ao saber que seria presenteado por personalidades ligadas ao governo imperial com uma estátua de bronze, o imperador sugeriu que aplicassem o dinheiro na construção de um conjunto de escolas para levar educação às comunidades pobres da cidade. A inscrição "Ao Povo o Governo" marca o episódio. "É um privilégio ver esse prédio restaurado com recursos do Porto Maravilha Cultural. Cuidamos das coisas, mas principalmente das pessoas. O Centro Cultural José Bonifácio está reaberto ao público para continuar a difundir nossa história e cultura", comemorou Alberto Silva, presidente da Cdurp.

Reinauguração contou com apresentação de grupos de congado de Minas Gerais

Desativada em 1977, passou a sediar a Biblioteca Popular Municipal da Gamboa. Em 1994, após grande reforma, tornou-se Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira, ganhou esculturas de inspiração africana, e as unidades receberam nomes de ícones como Abdias do Nascimento, Ruth de Souza, Grande Othelo, Heitor dos Prazeres e Tia Ciata. “Sempre que venho ao Rio tenho uma lista enorme de reivindicações. Para mim, ainda faltava uma referência forte à presença negra na cidade. Com a reinauguração do CCJB e os trabalhos com o Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana, devo me queixar bem menos e trazer mais projetos para alavancar as políticas de igualdade social”, comentou a ministra da SEPPIR, Luiza Bairros.

O Restauro

O Porto Maravilha Cultural, que destina 3% da venda dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) à recuperação do patrimônio artístico, histórico e cultural da Região Portuária, investiu R$ 3,8 milhões na restauração do centro. Além do restauro de pisos, telhados, fachadas, forros, esquadrias, revestimentos e ornamentos, as obras instalaram sistema de ar condicionado e adaptações de acessibilidade. O edifício agora dispõe de rampas e elevador para acesso a portadores de necessidades especiais. A obra recolocou os painéis de azulejos que retratam as transformações urbanísticas da região do porto retirados no início das reformas.

Os 2.356 m² que compõem o Centro Cultural José Bonifácio estão divididos em três pavimentos e 18 salas com usos diversificados. No térreo serão instaladas a área técnica e banheiros. No primeiro pavimento, biblioteca com acervo qualificado nas temáticas africana e afro-brasileira, livraria especializada, espaço de exposição para arqueologia (que receberá achados do Cais do Valongo), minicentro de Convenções e administração.

Atividades

O CCJB terá uso múltiplo, combinando atividades acadêmicas, pedagógicas e artístico-culturais sobre a contribuição africana para a formação social brasileira. Graças à sua importância histórica, cultural e social, abrigará exposição permanente dos objetos encontrados durante as escavações e obras da Operação Urbana Porto Maravilha. Pulseiras, cachimbos, amuletos e diversos outros itens utilizados pelos africanos escravizados que desembarcaram no Rio entre os séculos XVII e XIX foram catalogados e ajudarão a contar um pouco do cotidiano dessa comunidade tão carente de registros históricos.

Novos projetos

O Projeto África Diversa e a mostra "Seppir 10 - Uma Década de Igualdade Racial" traçam panorama das políticas de igualdade racial implantadas na última década em todo o Brasil. Em passeio pelos 10 anos da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a mostra destaca parceiros governamentais e da sociedade civil e traça panorama do impacto dessas ações nos campos da saúde, trabalho, educação e comunidades tradicionais. O público tem acesso a painéis que trazem o histórico das três conferências de Igualdade Racial promovidas pelo Governo Federal (2005, 2009 e 2013), além de conhecer e interagir, por meio de totens eletrônicos, com o Sistema de Monitoramento das Políticas de Igualdade Racial.

Batizado em homenagem ao ex-senador que teve atuação determinante no parlamento para a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial (instituído em 20 de julho de 2010, após uma década de tramitação no Congresso Nacional), o novo Espaço de Leitura Abdias do Nascimento oferece publicações sobre a temática da igualdade racial para consulta e distribuição. Com o apoio do programa Porto Maravilha Cultural, o projeto "África Diversa" manterá o CCJB em intensa programação gratuita durante três meses, com apresentação de grupos culturais, debates e exposições voltadas à temática africana e afro-brasileira.

Fotos: J.P.Engelbrecht